Bell AH-1G Cobra – a Picada Mortal

24 de dezembro de 2014 0 Por admin

Por Guilherme Castro

O Bell Modelo 209 foi projetado especificamente para missões de ataque, apoio aéreo aproximado e interdição. Nasceu para suprir uma lacuna importante, pois as unidades artilhadas que existiam eram apenas adaptações de modelos de transportes de tropas, como o UH-1B e UH-1D da família Huey. Sua chegada ao Vietnã foi em 29 de agosto de 1967 na Base Aérea de Bien Hoa, com a equipe New Equipment Training Team (NETT, equipe de treinamento de novo equipamento) comandada pelo Cel. Paul Anderson. A NETT era uma equipe mista, tendo aproximadamente 50 pessoas entre militares do US Army (Exército norte-americano) e técnicos da Bell Textron.

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Das 12 unidades em solo vietnamita, seis foram para o 334th Assault Helicopter Company, mais precisamente para o “Playboy Platoon”. Em 4 de setembro, com a presença do Comandante das Forças Americanas do Vietnã, Gal. William Westmoreland, o AH-1G s/n 66-15259 apelidado de “Virginia Rose II” realizou seu voo oficial na zona de combate do sudeste asiático. Foi o único helicóptero de seu tipo a usar a camuflagem tática da United States Air Force (Usaf, Força Aérea norte-americana), pois onde ficou baseado, a equipe de terra de um esquadrão de Cessna A-37 Dragonfly, ofereceu a pintura como forma de boas vindas. O batismo de fogo aconteceu dias depois, onde em um voo de rotina foi comunicado movimento de vietcongs em Can Tho, um dos Deltas do Rio Mekong. Ao se aproximarem, foram recebidos por nutrido fogo de armas leves dos ocupantes das sampanas (embarcações asiáticas de fundo chato). Então, o Cobra s/n  66-15263 comandado por John Thomson e mais dois UH-1D Huey Gunship responderam ao fogo. O AH-1G fez valer toda a concentração de fogo de seus foguetes ar terra e das terríveis rajadas de sua M-134 Minigun, destruindo todos os alvos. Este veterano do Vietnã, Invasão da Ilha de Granada, Panamá, Somália, Guerra do Golfo, Bálcãs e outros conflitos, com suas variantes mais modernas, ainda é uma respeitável plataforma de combate.

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Bell AH-1G, 1/32

 

Já é um molde veterano da Revell, do ano de 1969. Relançado muitas vezes, com diferentes artes na tampa da caixa, é apresentado com o código do fabricante 4495, moldado em plástico verde e conta com 65 peças (sendo duas transparentes) em alto relevo.

É um kit bem simples, mas apresenta alguns problemas de encaixe, principalmente das partes das fuselagens com a peça que representa o cockpit. Por ser um molde antigo, o kit é praticamente o protótipo, com pouco refinamento, algumas peças toscamente moldadas e muitas marcas de injeção, que, obrigatoriamente, devem ser eliminadas.

Tinha este kit já há algum tempo, mas nunca tive vontade de montá-lo por ter um padrão de pintura que não me agradava e por ver que teria uma “pedreira” pela frente. Depois de ver as fotos da pintura do “Virginia Rose II”, iniciei a montagem. O interior deste é muito básico e tive de adicionar alguns elementos para melhorar. Os assentos foram praticamente refeitos para dar um ar mais fiel e respeitável, graças a pedaços de “plasticard” e “sprue”. Com um bom material de pesquisa, adicionei aos frames internos da parte transparente principal, alguns refinamentos existentes no helicóptero verdadeiro. A tela grade de refrigeração do lado esquerdo que é apresentado em plástico moldado, foi substituído por um pequeno pedaço de tela metálica, dando uma aparência mais agradável. Existe a possibilidade de se fazer a parte do motor exposta, mas a porta de acesso vem moldada de maneira incorreta. A parte interior foi pintada na cor cinza claro, sendo preciso cortar um pouco da frente da peça, para que o encaixe das partes da fuselagem ocorra sem problemas. O encaixe da parte transparente requer um pouco de paciência, pois, pelo menos no meu kit, existiu uma diferença, sendo preciso usar massa para nivelar todo o conjunto, fuselagem e cobertura do cockpit. De resto, foi tudo tranqüilo, sendo aplicadas após o primer, as cores padrão SEA-South East Ásia, ou seja; pintei primeiramente a cor FS 36622- Camouflage Grey na parte inferior. Depois de seco, isolei com fita apropriada a superfície a ser mantida e apliquei a cor FS 30219 Tan. Utilizando o mesmo procedimento, foram aplicadas as cores FS 34102 Field Green e FS 34097 Forrest Green. Finalizando a pintura, isolei a parte frontal da fuselagem para pintar de preto a parte superior do nariz e hastes da cobertura transparente. Uma boa mão de “Future” preparou a superfície para a aplicação dos decais. Em seguida, comecei a fazer uns poucos efeitos de desgaste, pois este esquema de pintura foi tempos depois retirado, voltando o helicóptero a ter o padrão US Army de camuflagem. Mais uma mão de verniz para selar o trabalho, retirar as máscaras que protegiam as transparências e pronto, meu Cobra estava pronto! É um kit que pela idade do molde, requer um pouco de paciência na montagem e trabalho de pesquisa para adicionar alguns detalhes, mas a satisfação de ver o bichão montado, como esse agressivo e diferente esquema de pintura, vale todo o esforço.