F-84G – o protagonista das Guerras Ultramarinas

30 de dezembro de 2014 0 Por admin

Por João Paulo Moralez

Vários modelos de aeronaves de combate Ocidentais que se destacaram em serviço a partir da segunda metade da década de 40, seguindo uma carreira de sucesso operacional até os anos 60, tiveram seus projetos iniciados ainda durante a 2ª Guerra Mundial.

Entre eles está o Republic F-84G Thunderjet, um jato cujo projeto nasceu de uma especificação da United States Army Air Force (USAAF, Força Aérea do Exército dos EUA) que buscava um caça de propulsão a jato para missões diurnas.

O F-84 dispunha de asas retas, com tanques de combustível fixos na ponta da asa e entrada de ar para o motor posicionado na parte frontal. Ao mesmo tempo que possuía a simplicidade de operação e robustez dos caças a pistão da 2ª Guerra Mundial, como sistemas de radionavegação, comunicação, mira e armamentos (dispunha de seis metralhadoras calibre .50 pol. com 300 tiros em cada), seu desempenho e agilidade eram superiores aos modelos da mesma categoria da época.

F-84E_of_9th_Fighter-Bomber_Squadron_in_Korea

Seu voo inaugural aconteceu em 28 de fevereiro de 1946 e, apesar de ter sido introduzido em serviço já no ano seguinte, seu projeto enfrentou diversos problemas estruturais e relacionados principalmente ao seu motor. A primeira versão de produção foi com o F-84B, que teve 226 exemplares construídos. O F-84C, com motor mais confiável e novos sistemas elétricos, de combustível e hidráulico, teve 191 exemplares fabricados, enquanto o F-84D teve, além de um novo motor, diversas mudanças estruturais e também a colocação de aletas nos tanques de combustível das asas.

Entretanto, somente o F-84G, que entrou em serviço em 1951, apresentou as qualidades satisfatórias que a United States Air Force (Usaf, Força Aérea norte-americana) buscava.

Equipado com o motor a jato Allison J35-A-29, podia atingir 1.000km/h com alcance operacional de 1.600km e teto máximo de 12.350m. Podia levar uma bomba nuclear Mark 7. Tinha sistema de reabastecimento em voo e entradas de ar laterais adicionais para alimentar o motor. Mais de 3.000 exemplares foram construídos e vendidos para diversos países, como EUA, Bélgica, Dinamarca, Irã, Itália, Holanda, Noruega, Portugal, Taiwan e Tailândia.

 

F-84G, 1/48

 

Optei em fazer o modelo da Tamyia (número 61077) nas cores da Força Aérea Portuguesa, mais precisamente um dos 25 exemplares que operaram com a Esquadra 91 a partir do Aeroporto de Luanda, em Angola, em missões de ataque ao solo contra rebeldes separatistas, de 1961 a 1974. Portugal operou ao todo 125 exemplares do F-84G, que foram recebidos a partir de janeiro de 1953.

F-84_Portugues

O kit, como é de se esperar, é excelente e dispensa o uso de qualquer acessório como Photo Etched e cabine em resina. Eu apenas inclui o assento da marca Quick Boost 9QB48493), pois já vem com os cintos proporcionando maior realismo.

Entretanto, um detalhe tornou a minha vida complicada neste modelo. Pelo fato do avião da caixa ser da equipe acrobática Thunderbirds (de fato o F-84G foi o primeiro avião a equipar este time de demonstração aérea dos EUA), o fabricante optou em dar um banho de cromo no plástico, deixando as árvores incrivelmente prateadas, um recurso totalmente inútil e desnecessário pelo fato de que teria que lixas as emendas, retirando assim parte da cobertura prateada. Não me preocupei em tirar esse revestimento do kit, mas tomei o cuidado de aplicar uma boa camada de primer antes da pintura. Apesar disso tive problemas com descascamento em vários locais em que tive que fazer máscaras, atrasando muito a produção do modelo.

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A cabine foi pintada com verde interior, tradicional da maior parte dos aviões dos EUA da 2ª Guerra Mundial. O painel é todo preto e eu adicionei algumas alavancas para proporcionar maior realismo. As junções da fuselagem e asas foram fechadas sem maiores problemas, permitindo que eu pintasse o kit de alumínio de tinta poliéster. O tanque de ponta de asa é pintado de alumínio na parte interior enquanto a parte de fora recebeu a cor vermelha (assim como o nariz do avião). O antiglare pintado no dorso é o tradicional verde oliva (Olive Drab – FS 34084).
Como decais utilizei a folha DCA 48.103, da Colorado Decal, adaptando para a matrícula 5177, exatamente um dos exemplares que voou em Angola.

Para o armamento, optei colocar duas bombas de 450kg cada, posicionadas em dois cabides subalares.