O GPPSD no 1º Grupo de Aviação de Caça

15 de março de 2015 0 Por admin

Por João Paulo Moralez

Era uma sexta-feira, 30 de outubro de 2004. O Júlio César Maringolo havia estabelecido um excelente relacionamento com o piloto oficial de relações públicas do 1º Grupo de Aviação de Caça (GAVCA) que opera a partir da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Nem eu nem o Júlio havíamos acessado ainda o Ninho da Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira, nem visto tão de perto assim os Northrop F-5E Tiger II (os primeiros exemplares modernizados foram entregues para o 1º/14º GAV “Esquadrão Pampa” somente em 21 de setembro de 2005, sendo que o 1º GAVCA só receberia os seus primeiros caças modernizados muito depois disso.

Havia ainda naquela base os Embraer AMX A-1A/B do 1º/16º GAV “Esquadrão Adelphi” e o hoje extinto 4º/7º GAV “Esquadrão Cardeal” com os seus Embraer P-95 Bandeirulha. Havia, acima de tudo, o hangar do Zeppelin, vários aviões preservados e a emoção de estar num base que reunia alguns esquadrões de elite da FAB.

Então, naquela sexta-feira, por volta de umas 23h00, embarcamos num ônibus da Cometa com destino ao Rio de Janeiro. Da nossa chegada a Rodoviária do Rio de Janeiro seguimos de táxi para Santa Cruz, num trajeto de uma hora de carro, e eis que no meio de uma comunidade, surgem os seus imponentes portões da Base Aérea de Santa Cruz. Lá, nos recebeu o Tenente Bruno Pedra, exímio piloto de caça com grande experiência de voo no F-5E. Chegamos bem cedo naquele sábado, por volta das 7h30.

Demos o nosso “giro” pela base incluindo os hangares, salas administrativas, vistas ao simulador e linha de voo. Conhecemos os dois T-27 Tucano orgânicos da Unidade usados para voos de instrução, navegação, apoio em exercícios combinados com o Exército Brasileiro e algumas tarefas administrativas que não podiam ser feitas com os F-5.

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Depois de muita conversa notamos que não havia maquetes de qualquer aeronave que já tinha sido operada pelo 1º GAVCA, nem mesmo os F-5. E, ainda, descobrimos que a Unidade estava reformulando a sua Sala Histórica e que estaria disposta a fazer vitrines para expor todos os aviões já operados por eles. Propusemos então em reunir os associados do GPPSD para cada um montar um kit operado pelo 1º GAVCA, ideia que foi imediatamente aceita.

Da Base decolou um Lockheed C-130 Hercules com destino a Academia da Força Aérea (AFA) em São Paulo e, apesar de termos conversado com a tripulação, o voo estava cheio e não seria possível receber uma carona deles. Eis que, momentos mais tarde, outro C-130 do 1º/1º Grupo de Transporte “Esquadrão Gordo” tocou o solo de Santa Cruz e tinha como destino a AFA. Ele iria levar alguns componentes de apoio dos F-5, que no dia seguinte iriam participar dos Portões Abertos da Academia. Então, embarcamos no “Gordo” num calor infernal de mais de 40ºC na pista (na base mesmo esse calor estava em torno de 30ºC).

Internamente o calor do C-130 estava muito alto. E para piorar a situação daquele voo de 1h15, havia um barulho agudo e contínuo do sistema hidráulico, que faz qualquer cabeça explodir depois de uns 40 minutos de voo. Mas, durante esse tempo, pudemos conhecer bem o C-130, incluindo a parte de cargas e o amplo cockpit. Conversamos com a tripulação que gentilmente nos explicou bem o funcionamento da aeronave.

Chegando na AFA, ao abrirem as portas do C-130, deu-nos a impressão que o calor triplicou, sensação agravada pela alta temperatura na pista.

Cansados, ainda comemos um X-salada na única lanchonete aberta da AFA naquele sábado, indo na sequencia para a rodoviária de volta para São Paulo, numa viagem muito mais curta do que a de ida.

Em São Paulo, ao conversarmos com os sócios, cada um se mobilizou para fazer cada uma das aeronaves operadas pelo 1º GAVCA desde a sua criação. Eu fiquei com o Republic P-47 D Thunderbolt voado pelo veterano Alberto Martins Torres, que cumpriu 100 missões de combate durante a 2ª Guerra Mundial. O Eduardo Duailibi fez um North American T-6, 1/48; o Ronaldo Chiaranda um Norhtrop F-5EM, 1/32. O Guilherme castro, nas escalas 1/48, fez um raríssimo F-5E com nariz de foto-reconhecimento, pouco usado no Grupo de Caça. Roger Techima fez um Lockheed T-33. Já o Tandil fez um P-47D 1/48, prateado e com código A1, do Aspirante Diomar Menezes, que completou 71 missões de combate na 2ª Guerra Mundial e o Júlio Maringolo um F-5E.

Ao término da montagem dos modelos tivemos a felicidade de receber um convite para ir de avião até a BASC, levando os kits para serem expostos, a bordo de um Embraer C-95B Bandeirante FAB 2309 do Parque de Manutenção Aeronáutica de São Paulo, que levava peças para a Base Aérea dos Afonsos e Base Aérea de Santa Cruz. A “carona” decolou da Base Aérea de São Paulo no dia 2 de março de 2007 e o voo teve aproximadamente 1h20, nos quais aproveitamos para conhecer alguns sistemas da aeronave e, é claro, tirar inúmeras fotografias.

Ao chegar na Base Aérea de Santa Cruz fomos recebidos pelo Comandante do 1º GAVCA, Tenente Coronel Roberto Moreira Oliveira, Tenente Marques e o Tenente Bruno Pedra. Conhecemos cada detalhe do Esquadrão, da Base e cada um pode voar nos simuladores de voo do F-5E e F-5EM, com direito a combate aéreo. Alguns até abateram caças inimigos.

No final da visita, uma breve cerimônia marcou a entrega dos modelos, que então foram expostos desde então em vitrines especiais construídas para esse fim, estando lá até os dias de hoje.

O GPPSD orgulha-se por ter feito ação semelhante no 1º Grupo de Defesa Aérea, Museu Aeroespacial e no Parque de Manutenção Aeronáutica de São Paulo, auxiliando na difusão e preservação da memória aeronáutica.