Um bate papo com o Felipe, da FCM Decalques

17 de maio de 2015 1 Por admin

Por João Paulo Moralez

Quando iniciamos a montagem de um kit podemos não dar a real importância a um elemento tão fundamental e que está dentro da caixa com o manual de instruções – os decais. Se vamos montar a versão “da caixa” aí tudo fica mais fácil. Caso contrário, temos a opção de buscar as folhas de decais com o modelo específico do kit que queremos fazer.

O pior de todos os casos é quando a versão que buscamos simplesmente não existe em nenhum fornecedor nacional ou internacional, situação pela qual eu passei duas vezes. Neste caso resta levantar diversas referências, pegar as medidas corretas e desenhar os seus decais num programa de computador, para então imprimir numa folha de decal para você. No meu caso eu não sabia trabalhar desenhando no computador e a qualidade do decal no final foi péssima (muito grosso, sem cola e pouco borrado). Mas era o que eu tinha nas mãos. Na segunda vez a qualidade foi ótima mas, até coneguir todas as referências e imprimir o decal com um outro fornecedor, o meu modelo ficou parado quase dois meses.

São raríssimos os casos em que também as impressoras imprimem a cor branca, gerando um trabalho a mais para o modelista que terá que usar um decal branco por baixo ou pintar a área em que o decal será aplicado.

Felizmente no Brasil contamos com decais de qualidade e alto padrão produzidos pelo Felipe Canuto Miranda, idealizador e fundador da FCM Decalques.

“Na história do modelismo no Brasil, sempre foi natural que após algum tempo se dedicando a montar kits de plastimodelos de acordo como estes vinham em suas caixas, o jovem que se iniciava no hobby, muitas vezes motivado ao ver na vida real os aviões em shows aéreos e museus, começasse a ver que os modelos vinham com decorações de outros países, e não nas cores usadas ns aviões brasileiros. Durante um bom tempo essa vontade permaneceu insatisfeita, até que a Kikoler S.A, em uma iniciativa de personalizar os seus kits, decidiu produzir decalques localmente, colocando nos modelos que eram de aeronaves usadas no Brasil os decalques já com a versão brasileira, tanto de aviões militares quanto civis”, comenta Felipe.

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Com o passar dos anos, infelizmente, a Kikoler encerrou as suas atividades deixando uma legião de plastimodelistas aficcionados completamente órfãos.

“Naquela época também aconteceu o que sem dúvida foi o primeiro empreendimento para se produzir decalques com temas brasileiros, talvez anterior mesmo aos produzidos pela Kikoler para os kits Revell que esta injetava. Essa iniciativa foi tomada pelo Dr. Antonio Linhares, presidente do IPMS-Brasil, que chegou aproduzir por encomenda pessoal dois sets de decalques para aviação militar, um na escala 1/72 e outro em 1/48. 
Esses decalques foram produzidos em quantidades muito grandes, e durante muito tempo continuaram disponíveis junto ao IPMS-Brasil, no Rio de Janeiro. O tempo passou e com ele o verniz usado como filme transparente para os decalques amarelou, mas mesmo assim estes continuaram a ser as únicas opções, junto com uns poucos decalques da Kikoler que sobraram com alguns modelistas. Era comum naquela época ver esses decalques sendo disputados avidamente em leilões, e o tema FAB se tornara ‘coisa das elites’”.

Pela dificuldade de se obter decais da FAB os modelos nas cores brasileiras ficaram raros de ser vistos. 
Trabalhando numa empresa de marketing e evoluindo dos trabalhos de desenhos no papel para o computador, Felipe decidiu rascunhar alguns desenhos para uma folha de decalque. Já com o que seria o protótipo de uma folha de decalque na mão, saiu em busca de meios para materializar aquela idéia. Muitos foram os obstáculos, alguns financeiros mas, principalmente, de encontrar um local que fizessea impressão das folhas.

“Um amigo de Santos então me passou o contato da gráfica que no passado havia impresso os decalques da extinta Kikoler, e um vez feito o contato, eu enfim consegui materializar essa primeir folha de decal, a qual eu apresentei pela primeira vez à nossa comunidade de modelismo na abertura do 3º Salão de Modelismo do Clube Naval, Maio de 1996.   Nesse primeiro decalque eu selecionei as versões mais desejadas por praticamente todo modelista de aviação, entre os quais eu me incluia. Isso porque se não desse certo e o comercio não se ignorasse a coisa, seria mais fácil encontrar colegas que se interessassem em comprar algumas para trocas com outros, e eu não precisaria ficar com tudo para meu consumo, afinal eram 100 decalques de cada. Toda a tiragem do primeiro decalque, que na expectativa mais positiva eu esperava vender em seis meses, se esgotou em duas semanas! Isso me estimulou a preparar um segundo decalque, que teve o mesmo sucesso, e daí um terceiro, um quarto. A partir daí se formou a bola de neve, com isso nasceu a FCM decalques”.

A primeira folha reuniu a nata da caça da FAB, os aviões que todo mundo queria fazer na época F-5E, Mirage IIIE, P-47D, P-40 e preenchendo o espaço restante, P-36A.  Na escala 1/72 foi adicionado o AMX, que embora ainda não existisse em kit de nenhum tipo, Felipe quis deixar pronto para o futuro.  Esses primeiros decalques, tanto na 1/72 quanto na 1/48, foram os best seller por muito tempo, tendo chegado à ter nove edições. Atualmente cada edição de decalque tem tiragem de 500 unidades.

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Bucando melhorar a qualidade do decal Felipe entrou em contato com duas das melhoras empresas que fazem impressão de decais fora do Brasil – a Cartograph e a MicroScale. Optando pela segunda, os decais oferecidos pela FCM deram um salto enorme de qualidade ficando mais finos, nítidos e com melhor aderência.

Ao longo desses anos a FCM participou de alguns momentos muito interessantes. Em parceria com a tradicional loja de plastimodelismo Hobby Trade Center lançou decais de versões nacionais para uma linha de modelos da Heller e Academy. A HTC personalizou a arte da caixa dos kits do Northrop F-5E Tiger II, Dassault Mirage IIIE, HB-350 Esquilo, North American NA T-6 e Republic P-47D Thunderbolt, todos na escala 1/72, e o T-6 e P-47D também na escala 1/48.

“Até agora, contando pela própria numeração dos decalques, foram 47 decalques em 1/48, 44 em 1/72, 44 em 1/144 e 17 em 1/32.  Mais três em 1/125, dois em 1/35, e mais 11 entre insignias, numeros emblemas e outros gerais.  Isso dá mais de 170 decalques diferentes, contando com todos os que foram descontinuados por obsolência ao longo do tempo. A mais recente novidade foi o trabalho com a Kinetic, que surgiu por acaso.  Assim como eu frequento a Webkits aqui no Brasil, eu também frequento o forum Aircraft Resorce Center, tanto opinando quanto apresentando os lançamentos da FCM.  Como já sou conhecido de longa data, um dos modelistas participantes do projeto do AMX me convidou para participar colaborando com informações da versão brasileira.  A participação extra com a confecção do decalque foi uma extensão da coisa.  

O serviço em si não é diferente de produzir um decalque normal da linha FCM, a vantagem é ter acesso ao kit bem antes do mercado e poder então produzir os meus próprios decalques antes dos concorrentes”, finaliza.

Mais informações acesse www.fcm.eti.br