Lockheed S-3 Viking

4 de junho de 2015 0 Por admin

Por Guilherme Castro

Na segunda metade dos anos de 60, a US Navy (Marinha dos EUA), solicitou aos fabricantes de aeronaves o estudo (VSX Project) de um novo avião embarcado, que viesse substituir os veneráveis Grumman S-2 Trackers em uso desde os anos 50, que já não mais atendiam em sua plenitude na função de Guerra Antissubmarina, pois os submersíveis soviéticos estavam muito ousados, chegando bem perto das costas americanas e européias. As empresas participantes foram a Convair, Grumman e Lockheed. Mesmo não tendo experiência em projetar aviões a serem utilizados em porta aviões, a Lockheed foi considerada vencedora em 4 de agosto de 1969, tendo convidado a LTV (Ling-Temco-Vought, a mesma que construiu o A-7 Corsair II e o F-8 Cruzader) para auxiliar no projeto, principalmente na questão das asas dobráveis.

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O seu primeiro voo foi realizado em 1972, tendo a denominação YS-3A. Entrou em serviço no ano de 1974 no esquadrão VS-41 Shamrocks , tendo sua produção encerrada quatro anos depois, com um total de 186 aeronaves entregues. Em sua vida operacional, alguns foram modernizados para a versão S-3B e outros na ES-3A Shadow (ELINT- Eletronic Intelligence) e reabastecedor aéreo. Seu teto de serviço era de 12.500m, peso máximo de decolagem 23.500kg, raio de ação 5.200km e seus dois motores eram do tipo TF-34G Turbofan da General Electric, dai o apelido do Viking de “ Hoover” pelo pessoal naval, pois em baixa rotação, o barulho das turbinas pareciam com o som dos aspiradores de pó da marca Hoover, muito comum nos lares norte-americanos. Até ser retirado definitivamente de serviço ativo no ano de 2009, esse compacto e eficiente avião participou com distinção e alto nível de disponibilidade de diversas missões e conflitos localizados, como as Guerras do Golfo, em sua primeira e segunda fase.

Podia levar até 2.22kg de carga bélica em dois pontos internos e dois subalares externos. Entre esses armamentos estão até 10 bombas Mk.82, dias Mk.83, duas Mk.84, seis CBU-100, dois torpedos Mk.50, quatro torpedos Mk.46, seis minas ou cargas de profundidades, duas bombas nucleares B57, dois mísseis AGM-65 Maverick, dois AGM-84 Harpoon, além de dois tanques subalares e casulos de foguetes não guiados para exercício.

 

Lockheed S-3A Viking, 1/72

 

Mesmo sendo um molde antigo, lançado no início dos anos de 80, em alto relevo, o kit é muito bem moldado. Com o código 72-00537, o conjunto é composto de quatro árvores com 91 peças moldadas em plástico cinza claro, e uma outra com quatro peças transparentes. Permite a decoração de dois Esquadrões da US Navy, o VS-28 Hukkers a bordo do USS Forrestal e VS-38 Griffins do USS Ranger.

A montagem é bem simples, não exigindo do plastimodelista muito trabalho, a não ser que, como eu, faça a opção de baixar os relevos e estampar alguns rebites, para tornar o modelo mais atrativo.

Verificando as árvores de peças, notei que o kit era muito bem moldado, merecendo, portanto, que o alto relevo fosse substituído por baixo relevo. Munido de um “scriber”, régua, fita crepe e gabarito da Hasegawa para a escala 1/72, levei algum tempo para realizar todo o trabalho. Depois, lixei toda a superfície e com broca de relojoeiro e fiz os rebites. Somente depois de tudo isso iniciei a montagem propriamente dita. Como de praxe, o manual de instruções inicia com a montagem do interior do cockpit, que é por demais básico, sendo pintado na cor cinza interior. Fiz algumas poucas melhorias, pois a transparência mostra muita coisa, mas somente o básico, nada de especial. O painel não tem relevo, sendo aplicado o decal que vem com o kit. Para não sofrer surpresas, coloquei um pequeno peso no nariz antes de fechar as metades da fuselagem.

Os interiores dos porões de rodas e respectivas portas de proteção, cubos das rodas, interior dos compartimentos dos motores e trens de pouso foram pintados na cor branca. O único cuidado é durante a colagem da peça que representa o compartimento das sonobóias, para que fique no mesmo nível e altura do restante da parte inferior da fuselagem. A junção das asas com a fuselagem é muito fácil, pois as peças se encaixam perfeitamente. As peças que formam as carenagens dos motores apresentam um pequeno desnível, facilmente sanado com o uso de massa plástica e um rápido lixamento para nivelar os dois conjuntos.

Quanto a pintura fiquei na dúvida, pois nunca gostei do esquema oficial de cores da US Navy de cinza claro na parte superior e branco na inferior, portanto, comecei a pesquisar esquema de camuflagens e cores alternativas, achando fotos muito interessantes no esquema acinzentado, com variações de tonalidades por tempo de uso ou devido a exposição ao sol, salinização, brisa marinha ou outros fatores.

O trabalho de pintura começou logo após o mascaramento de proteção das partes transparentes, com fita apropriada . Em seguida, fiz um pré sombreamento das diversas linhas de painéis utilizando tinta preta. Para a pintura de todo o modelo, utilizei a mistura de três tons de cinza misturando 60% de tinta FS.35164 (cinza azulado), 30% de FS.36440 (cinza claro) e 10% de FS.36270 (cinza médio).

Depois da aplicação, poli toda a superfície com algodão, e com o auxílio de tinta à base d’água preta da marca Vallejo, fiz um leve “wash”, para realçar as placas e rebites em baixo relevo. Apliquei uma leve camada de “Future” com aerógrafo e deixei secar até o dia seguinte. O próximo passo foi a aplicação dos decais que vieram com o kit, optando pelas marcações do VS-38 Griffins, que operaram no Navio Aeródromo Ranger em 2009. Com o auxílio do amaciante de decais Mr. Softer da Gunze, tive de fazer por duas vezes a operação, pois a espessura deles, ocasionava um certo “degrau” nos locais aplicados. Para finalizar, mais alguns efeitos de envelhecimento com a ajuda de pó de crayon cinza escuro e preto. Para selar todo o trabalho, mais uma camada de “ Future” e missão cumprida!

Apesar da idade do molde e ter a desvantagem do alto relevo, os encaixes perfeitos e a beleza do modelo depois de montado, o tornam um belo atrativo em qualquer coleção ou mesa de convenção, pois não se vê muito S-3A Viking por aí.