Dois Kfirs latinos!

Dois Kfirs latinos!

12 de julho de 2015 0 Por admin

Por João Paulo Moralez e Júlio César Maringolo

Em meados da década de 60 a Força Aérea de Israel solicitou à França o desenvolvimento de uma variante do incomparável Dassault Mirage IIIC com maior capacidade de emprego em missões ar-solo, equipamentos dedicados para essa função e, acima de tudo, maior alcance.

WMK48001

Com esses requerimentos nasceu o Mirage 5, que ao contrário do Mirage IIIC não dispunha de radar no nariz nem mesmo os sistemas eletrônicos e aviônicos localizados na parte de trás do cockpit. Com isso foi possível instalar atrás da cabine um tanque extra de combustível mas, sem o radar, o avião perdeu a capacidade de voo em qualquer condição de tempo. A limitação não chegou a ser um problema, tendo em vista que as condições meteorológicas são favoráveis na maior parte do ano naquela região.

O caça seria equipado com uma turbina Snecma ATAR 9C, a mesma do Mirage IIIE; tinha sete pontos para carga externa (contra cinco do Mirage IIIC), podia levar 4.200kg de armamentos (3.800kg no Mirage IIIC); era equipado com os mesmos canhões DEFA 552A de 30mm, com 125 tiros cada; e alcance de 1.300km (1.000km no Mirage IIIC).

Com a Guerra dos Seis Dias, que durou de 5 a 10 de junho de 1967, e a Guerra de Atrito, de 1º de julho de 1967 a 7 de agosto de 1970, Israel precisava repor as perdas operacionais sofridas neste período. Com a Dassault foram adquiridos 50 exemplares do Mirage 5, batizados de Nesher (abutre) por Israel, entretanto esses planos não foram concretizados devido ao embargo de armas imposto pela França.

O governo de Paris já havia ameaçado a tomar tal decisão depois que Israel atacou preventivamente os países árabes na Guerra dos Seis Dias. O fato então foi concretizado com o reide de Israel ao Líbano em 28 de dezembro de 1968, quando comandos de forças especiais destruíram vários aviões comerciais estacionados no Aeroporto Internacional de Beirute.

Assim, utilizando os conhecimentos adquiridos por engenheiros israelenses na França, como parte da participação no projeto, somado as plantas roubadas da Dassault por espiões, Israel realizou engenharia reversa e produziu 51 exemplares monoplace e 10 biplace, para treinamento do Nesher. Os novos jatos entraram em serviço em 1972.

Israel então iniciou o desenvolvimento de uma variante ainda mais avançada que o Nesher visando superar as limitações do Mirage IIIC e utilizando para isso as lições aprendidas com esse caça nos poucos anos de operação em Israel.

A intenção era criar um caça para qualquer tempo com elevado raio de ação, sistemas eletrônicos sofisticados, radar moderno, maior alcance, manobrabilidade e maior capacidade de combate. Nascia assim o Kfir (leão).

A turbina escolhida foi a General Electric J79 já empregada nos McDonnell Douglas F-4 Phatom II.

Enquanto o Nesher tinha uma aparência muito semelhante ao Mirage, o Kfir apresentaria outras modificações externas como nariz, a saída de gases do motor mais curta e a entrada de ar instalada no estabilizador vertical para prover maior fluxo de ar para a turbina. Do Kfir C.1 apenas 27 exemplares foram fabricados, surgindo logo em seguida a variante C.2, que dispunha de várias alterações na aerodinâmica e sistemas de bordo. Em comparação com o Mirage IIIC e o Nesher, que levavam armamentos em cinco e sete pontos externos sob as asas e fuselagem, o C.2 dispunha de nove e a capacidade de levar até 6.070kg de carga bélica.

A variante mais popular talvez tenha sido a C.7 com radar Elta EL/M-2021B, sistema HOTAS, capacidade para voos com óculos de visão noturna e a turbina J79-GEJ1E, ainda mais potente que a anterior. Posteriormente Israel desenvolveu ainda o C.10, com o radar Elta EL/M-2032, sistema para reabastecimento em voo e mira montada no capacete.

Por fim, o Kfir C.12 é o C.10 sem o radar Elta EL/M 2032 e com cockpit ainda mais avançado.

 

Montado dois Kfir C.10 latinos

A vermos o lançamento da Wingman Models do Latino Kfirs (WMK4801), ficamos muito felizes em fazer, cada um, o Kfir nas cores de forças aéreas diferentes. Eu optei pela variante C.10 do Equador, de matrícula 905 (que em 10 de fevereiro de 1995 abateu um Cessna A-37 do Peru na Guerra do Cenepa, ainda como um Kfir C.2, antes de passar por um processo de modernização) e o Júlio César um C.10 colombiano.

A Wingman Models, em sua série Superkits Series, possibilita ao modelista fazer as variante C.2, C.7, C.10 e C.12 do Equador e da Colômbia em diversas possibilidade de cores. Para isso, reuniu na caixa photo-etched com a alça e os espelhos retrovisores do canopi e as alças de ejeção do assento; e tubos de pitot em metal para suprir todas as variantes. Em resina, da Isradecal Studio, estão o cockpit com revestimentos laterais, assentos Martin Baker Mk.6 e Mk.10, caixa de rodas do nariz, pneus, painéis de instrumentos, motor, aletas da deriva, sonda de reabastecimento em voo e antena de comunicação. A folha de decal em altíssima qualidade é da Cartograf. O manual de instruções é razoável e o de pintura é muito bom. Existe ainda máscaras para pintar as rodas, canopi e parabrisas. O kit possui 180 peças em plástico cinza, 13 transparentes e 19 em resina. Os decais cobrem 13 versões da Colômbia e Equador.

Apesar de parecer um excelente kit, o modelo tem vários problemas. O plástico e a resina são macios, o que não facilita a montagem e pintura em ambos os casos. Se você optar pela versão C.10 ou C.12 terá que lixar os dois frames do parabrisas, pois nessas variantes a peça é única. Alguns lotes deste kit possui a peça em vaccum form, que dá um trabalho muito grande de fixar. Se a sua caixa não tiver a peça em vaccum form, é só pedir para o fabricante que eles remetem por correio pagando-se apenas o frete por isso. Eu optei em usar o vaccum form e o Júlio lixou o parabrisas. O trabalho que ele teve foi bem menor que o meu.

O armamento é extremamente pobre. Consiste em duas bombas guiadas a laser apenas. Os tanques subalares (três tipos ao todo) estão com as dimensões erradas (mais curtos). Neste caso existe a venda, pela própria Wingman, novos tanques subalares e ventrais.

A montagem seguiu da maneira convencional, sendo pintados 100% com tintas Vallejo.

O kit do Equador foi feito com um tanque supersônico ventral e quatro mísseis ar-ar de curto alcance, sendo dois Python III e dois Python IV. Neste caso tive que comprar as caixas de armamentos israelenses Skunkmodels Workshop #1 e #2, enquanto o cabide interno para o Python III foi encontrado no kit do Kfir C.2 e C.7 da AvantGarde (aliás, muito melhor que o kit da Kinetic). Já o Júlio utilizou um tanque ventral supersônico, dois subalares subsônicos e dois Python III.

O detalhe da silhueta do A-37 e das inscrições escritas no lado esquerdo do cockpit e no nariz foi pego numa folha da Aztec Models D-004. Ecuadorian Air Force. Part 1.