North American & Rockwell Bronco OV-10

North American & Rockwell Bronco OV-10

12 de março de 2016 0 Por admin

Por Guilherme Castro

O projeto remonta ao ano de 1959, quando o United States Marine Corps (USMC, Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA) fez um pedido para o desenvolvimento de uma aeronave de reconhecimento, controle aéreo avançado e função COIN- Counter Insurgence (Anti guerrilha), que fosse robusto, capaz de voar a baixa velocidade, bem manobrável e equipado com armamento leve.

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Por sua caracteristica, a aeronave teria de operar em pistas não preparadas ou simples estradas, e que não precisasse de grande infraestrutura logística. Assim, nasceu o Projeto LARA- Light Armed Reconnaissance Airplane. Varias empresas apresentaram projetos, tais como a Lockheed, Martin, Convair/General Dynamics, Goodyear e outras. A North American/Rockwell foi declarada vencedora com o Modelo NA-300, com YOV-10 fazendo seu primeiro voo no ano de 1965, quando os EUA iniciavam a sua escalada no Sudeste Asiático enviando grande numero de tropas e equipamentos para o Vietnã. Depois de quase dois anos de avaliações e melhorias, as primeiras seis unidades foram embarcadas desmontadas em cargueiros Hercules C-130 e enviadas para a base de Bien Hoa, no Vietnã do Sul, chegando em outubro de 1968. A primeira unidade a operar o Bronco para fins de avaliação em combate foi o 19th TAC- Tactical Air Squadron, que logo depois das unidades montadas, iniciou os voos de testes.

Para surpresa dos aviadores, o Bronco OV-10 se revelou uma ferramenta dócil, confiável e mortífera. Era mais rápido que os helicópteros e voava mais devagar que os pesados e custosos jatos. Era tão versátil, que a sua parte trazeira, podia ser usada para evacuação médica, com duas macas e um enfermeiro, ou transportar 5 soldados ou páraquedistas. Seus dois motores Garret T76-G permitiam uma velocidade de quase 500km/h, sua autonomia era de 2.300km podendo ser armado com 1 canhão M197 de 20mm ou 4 metralhadoras M60C. Os três pilones de armamento sob a fuselagem e dois sob as asas, transportavam bombas de 227kg ou casulos de foguetes não guiados de saturação ou até dois mísseis Sidewinder para auto defesa.

O combustível usado para abastecer o Bronco era o mesmo usado pelas forças em terra, podendo ser reabastecido por pessoal não especializados. Até o fim do conflito, com a retirada das forças norte americanas, o OV-10 atuou com distinção, sendo protagonista de fatos inusitados.como relatado no livro “ A Lonely Kind of War”, escrito por um piloto de Bronco, que relata o pouso em um campo no Laos, onde resgatou uma patrulha de Marines que estava quase cercada por forças Vietcongs, graças a seu amplo compartimento na parte traseira da fuselagem.

Sua última atuação em combate foi na Guerra do Golfo, mas continuou operando em outras forças aéreas pelo mundo e como combatente anti drogas ou apagando incêndios em florestas.

 

USUÁRIOS E CURIOSIDADES

Alguns países utilizaram em suas forças aéreas os valentes OV-10 Bronco, dentre as quais; Alemanha (como rebocador de alvos), Colômbia, Filipinas, Marrocos, Tailandia, Venezuela e os EUA (USAF, USMC, US NAVY).

Como mencionado, a Venezuela operou os modelos OV-10E e os OV-10A, quando na tentativa de golpe militar contra o presidente Carlos André Perez, em 27 de novembro de 1992, algumas destas aeronaves atacaram com bombas e foguetes o palácio do governo e edifícios públicos, quando quatro deles foram abatidos por caças F-16A leais ao governo.

 

MONTANDO O BRONCO DA HAWK MODELS ESCALA 1/48

A extinta marca Hawk Models, lançou no mercado em 1967 o kit na escala 1/48 da nova aeronave de ataque, observação, apoio e anti guerrilha em fase de testes nos EUA. Praticamente, a empresa de modelos em escala “sugou” o que tinha nas publicações especializadas e plantas do fabricante (praticamente o protótipo YOV-10), para lançar o kit antes de sua entrada oficial em serviço. Como o código 561-130, a estampa de fabricação remonta ao ano de 1966, sendo apresentado na tampa da caixa nas cores de avaliação “Tri- Service”, ou seja, para uso da Força Aérea, Fuzileiros Navais e Marinha.

Hawk 561-130 OV-10gd

É composto de 56 peças injetadas em alto relevo e quatro peças transparentes, que formam a cobertura do cockpit. Pela idade do molde, e pelas condições em que o mesmo foi baseado, é surpreendente a fidelidade ao modelo real. Obviamente o kit é básico em tudo, principalmente no que diz respeito ao interior do habitáculo da tripulação, que é composta de um simples assoalho e um assento, todos rústicos e inexatos. Existem, também, alguns sulcos de injeção em partes das asas, fuselagem e escapes dos motores, mas nada que uma boa massa não supere.

Para os mais exigentes, existe um kit de conversão da “Paragon Designs”, que vem com folha de photoetched, conjunto de rodas e interior do cockpit em resina e até novas asas e estabilizador!

Baseado em fotos, eu mesmo fiz umas melhorias no assento (como vinha só um, construí outro em scratch) , consoles laterais e painéis de controle. A montagem do conjunto é muito simples, só um pouco complicado por ter de unir as peças com a adição dos trens de pouso, que felizmente, são bem robustos. Queria fazer a parte traseira aberta, onde seria mostrado alguma maca ou coisa semelhante, mas o plástico, por sua idade, estava bem ressecado, portanto, deixei como estava.

Fiz alguns melhoramentos, como as luzes de navegação, portas de trens de pouso mais finas em plasticard e correção das pás de hélices e rebaixei todos os relevos. Mas como sempre, queria fazer uma pintura diferente, cheguei até em pensar em pintar nas cores venezuelanas, mas optei pela vistosa camuflagem dos Marines aplicada em algumas aeronaves no ano de 1992.

Iniciei pintando o interior do cockpit na cor Anthracite Grey 7016 e Cinza Médio, com os detalhes dos painéis na cor preto fosco e porões de rodas e as portas dos trens de pouso na cor branco fosco. Colei as partes transparentes e isolei com fita apropriada para jogar a primeira camada de primer. Depois de corrigidas algumas imperfeições de montagem, seguindo o esquema de pintura escolhido, apliquei uma boa mão de tinta Gunze Light Gray (FS-36495). Depois de seco, isolei com fita as partes desejadas e pintei o restante na cor Camouflage Marine Green (FS-34097). Por último, depois de isolar o resto da pintura, apliquei a cor Forrest Green (FS- 34127), todas da marca Gunze. Depois de tudo resolvido, tirei as máscaras protetoras das asas e fuselagem, fazendo um leve “wash” nas linhas de painéis e um pouco de desgaste em alguns lugares. Em seguida, passei uma camada de “Cera Liquida Future”, para prepar a superfície para a aplicação dos decais, com a ajuda do amaciante Mr. Softer.

Mais alguns retoques de desgastes e pronto, foi só retirar as proteções das partes transparentes do cockpit e luzes de navegação. Sem muito esforço ou custos adicionais com peças em resina ou photoetched, encerrei o trabalho de montagem e pintura do kit . Gostei do resultado final, mesmo para um molde com quase 50 anos. Valeu pelo desafio e diversão. Agora, espero comprar o modelo da marca Kitty Hawk na escala 1/32 do OV-10D.